Total de visualizações de página

ESTATÍSTICAS

domingo, 12 de outubro de 2008

REFLEXÕES

REFLEXÃO SOBRE A CRISE DE CONFIANÇA NOS MERCADOS FINANCEIROS E DE CAPITAIS MUNDIAIS.


Moral, ética e transparência são os pilares da confiança que sustentam o bom funcionamento dos mercados de capitais.
Nas bolsas de valores quem vacila perde para o especulador.
Na bolsa de valores do Brasil (BVMF) as ações das empresas não são mais representadas por cautelas em papéis físicos.
Com o advento da informática, as compras, vendas e transferências de ações são registradas eletronicamente.
O home broker, ou seja, a compra e venda de ações através das corretoras de valores, ligadas ou não a bancos, utilizando-se a Internet, facilitou o acesso dos cidadãos às bolsas de valores.
Cabe à CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia o controle, cálculo dos direitos e obrigações relativos aos Proventos divulgados pelo emissor e emissão de extratos, com a posição de ativos registrados em nome do investidor, junto ao Agente de custódia que é a instituição responsável pela guarda destes ativos.
A aposta das pessoas na alta ou baixa dos preços das ações, ignorando os patrimônios líquidos das empresas, que garantem seu valor ou as expectativas de seus rendimentos futuros, passou a ser um jogo de azar.
Existem vários fatores que devem ser considerados na determinação do preço de uma ação, mas, basicamente, o patrimônio líquido dividido pelos tipos de ações emitidas, daria o valor inicial de cada uma delas. Agreguem-se a ele as previsões de dividendos e bonificações ou as estimativas de lucros ou prejuízos.
No preço das ações, também, devem ser considerados os prazos de retorno do capital investido (PL ou preço/lucro por ação), a liquidez do papel, dentre outros.
Os mercados futuro e de opções são jogos de palpites que merecem atenção especial, porque influenciam fortemente os preços das ações.
Teoricamente as bolsas de valores estariam imunes ao pânico dos investidores, nos casos de crise sistêmica nos Bancos, pois deveria oscilar com base nas leis do mercado, baseada na oferta e na procura. Ninguém poderá sacar suas ações para guardá-las em local seguro, porque são representadas por registros eletrônicos.
Em épocas de crise financeira mundial e de falta de confiança nos mercados, o bode expiatório é o dinheiro na forma de papel-moeda, pois as pessoas passam a vender suas ações, para transformá-las em dinheiro, sacando-os dos bancos para comprar moeda forte, para mantê-los sob sua guarda ou transferi-los para países que possam lhes dar 100% de garantia aos depósitos bancários, ou então investir em títulos do tesouro americano.
Alternativas, não financeiras, são a compra de ativos representados por imóveis, ouro, diamante etc.
Estas práticas e comportamentos das pessoas são imprevisíveis e levam à falta de liquidez do sistema e a todas as suas implicações.
A única maneira de acalmar as pessoas e tranqüilizar os mercados é os governos garantirem 100% dos depósitos bancários, em valores ilimitados, pois são eles os responsáveis pela legislação e fiscalização do cumprimento das normas do sistema financeiro.
Aos cidadãos cabe o papel passivo de confiar no governo e manter seu dinheiro depositado nas instituições, por ele autorizadas a funcionar.
Quando há fuga de capitais dos bancos, eles irão procurar lugares mais seguros para ficarem. Os países que não seguirem as mesmas regras dos outros, dando garantia ilimitadas aos depósitos bancários irão ter sérios problemas, pois as pessoas irão trocar as moedas de seus países por moeda forte, conseqüentemente aumentando o câmbio, para colocá-las nos países que lhes garantam 100% dos seus depósitos.
O sistema financeiro tem que funcionar como uma irmandade, uns ajudando os outros, supervisionados pelo Banco Central e não interessa a ninguém a quebra de nenhuma instituição financeira.
Qualquer desconfiança do mercado no sistema financeiro pode gerar uma crise sistêmica, afetando todos eles.
O mercado é complexo e não tem lógica, quando as pessoas agem com emoção, motivo pelo qual as previsões falham.
Por outro lado é difícil entender a lógica das pessoas, pois confiam seus investimentos em ações, apenas com registros eletrônicos nas corretoras, mas não confiam, em épocas de crise, nos bancos onde fazem seus depósitos e que não sejam garantidos pelo governo.
O egoísmo e a ganância levam o ser humano a pensar que é dono do mundo, quando não é, nem da própria vida.
O mundo está crescendo muito rapidamente, aumentando a necessidade, cada vez maior, de alimentos e insumos para a indústria.
Para movimentar a indústria e o comércio, as operações dos mercados de capitais tornaram-se mais complexas e interdependentes.
No sistema capitalista os mercados podem até se auto-regulamentarem, com base na oferta e procura, entretanto, para seu perfeito funcionamento é preciso que haja confiança entre os agentes e segurança nas operações.
Cabe aos governos darem esta segurança, para que haja confiança no mercado.
Uma das atribuições do governo, mais eficaz, não é sua capacidade de legislar, mas de fiscalizar, para evitar fraudes.
A contabilidade e balanço das empresas devem ser transparentes e demonstrarem a realidade dos atos e fatos administrativos.
Sem regras rigorosas de auditoria e fiscalização dos sistemas contábeis, os balanços e demonstrações financeiras das empresas não servem para nada, pois serão manipulados por elas, para esconderem ou mostrarem o que seja de seus interesses.
Como as empresas podem escolher livremente os auditores de suas contas, com certeza, não vencerá a que apresentar o menor preço, mas irão dar preferência às prestadoras de serviço que não lhes desfavoreçam, casos contrários irão substituí-las por outras.
Considerando que os auditores independentes ou empresas de auditoria concorrem entre si, em busca de clientes, poderão ser mais maleáveis aos interesses das empresas, podendo até serem manipulados, para conquistarem novos clientes e não perderem os antigos.
Neste ponto é que o governo deve ser rigoroso com as normas de auditoria e critérios de avaliação dos ativos, como também, com as escolhas dos auditores e, conforme o caso, direcionar a escolha.
A corrupção existe tanto nas empresas privadas, como no governo, portanto a regulamentação tem que ser para evitar a fraude.
A regulamentação dos mercados é um remédio que precisa ser bem dosado, para não virar um veneno.
A liberdade de mercados para operações lícitas é a sua melhor regulamentação, desde que não haja fraudes.
Onde há fraude não existe confiança e sem ela os mercados não funcionam.

Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2008.

Edison Carlos de Souza

Nenhum comentário: