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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

REFLEXÕES

REFLEXÃO SOBRE AS MUDANÇAS ECONÔMICAS E SOCIAIS DO MUNDO NO SÉCULO XXI


Como o nosso planeta está dividido em países, há uma preocupação patriótica dos cidadãos em querer defender a soberania de suas nações.
Ocorre que está preocupação diz respeito, principalmente, à sua ocupação territorial. Tanto isto é verdade que os países armam-se em tempos de paz, para ficarem preparados para a guerra, visando defenderem seus territórios.
Todos os países têm como meta seus crescimentos econômicos e sociais e para que isto ocorra, precisam de um mercado forte, tanto internamente, quanto externamente.
Para que consigam seus objetivos precisam incrementar suas vendas no mercado interno e externo, conseqüentemente, devem aumentar a produção de matérias-primas, alimentos, bens e serviços.
Quanto ao crescimento populacional, existem variações significativas entre os países, em função de aspectos econômicos, culturais e religiosos.
Observando-se a evolução do crescimento econômico e populacionais mundiais, conclui-se que eles não podem continuar ocorrendo infinitamente, pois é impossível um crescimento infinito num planeta finito.
Quanto à soberania das nações em relação ao capital, ela não existe, nem tampouco os cidadãos dão importância para ela, pois estão interessados no seu crescimento econômico e financeiro pessoal.
Empresários e pessoas físicas buscam lucro em qualquer parte do mundo, portanto, capital não tem pátria.
Os mercados financeiros e de capitais estão conectados mundialmente, e existem duas moedas de referências mundiais: o dólar e o euro.
O mundo mudou e os países não podem ficar a mercê dos Estados Unidos e sua moeda, nem tão pouco da União Européia.
Precisa-se criar uma moeda única mundial, pois a União Européia já demonstrou que isto é possível, quando criou o Euro.
A ONU, FMI e o Banco Mundial podem servir de base para a criação de um Sistema Financeiro Mundial, com uma única moeda, mesmo Tesouro e Banco Central.
Não necessariamente, esta moeda precisa ser em papel-moeda, pois, o atual sistema tecnológico permite o uso de uma moeda eletrônica, através da internet etc.
A recente crise financeira que ocorreu no mercado de hipotecas norte-americano desencadeou uma crise mundial nos mercados de capitais, atingindo a economia real. Tais títulos denominados de sub prime, onde os bancos financiavam casas sem preocupação com a renda dos tomadores, foram negociados, não só nos Estados Unidos, mas, também em outros países.
Quando os valores das prestações subiram junto com os saldos devedores dos financiamentos e as rendas caíram, as pessoas deixaram de pagá-las e os bancos foram obrigados a fazer as execuções judiciais para retomá-las. Com isto aumentou a oferta de imóveis e seus preços caíram, aliados a outros fatores, tais como: desaquecimento da economia, perda de renda, desemprego, contenção dos créditos, inflação etc. Como o valor do financiamento inicial é acrescido das despesas judiciais e o valor de mercado dos imóveis diminuiu, os bancos, quando os venderam, realizaram um prejuízo.
Observa-se que quanto mais caírem os preços dos imóveis, mais pessoas deixarão de pagar suas prestações, pois elas foram calculadas com base num financiamento, cujo valor do imóvel era maior.
Não se pode generalizar, pois existem outras situações específicas, que quando os valores de mercado das casas caem e seus mutuários podem pagá-las, isto não é relevante para eles, pois não pretendem vendê-las. Nestes casos o valor de uso é mais importante que o valor de troca e isto não afeta o mercado.
Por outro lado, os Bancos credores das hipotecas, tanto os financiadores originais, quanto os que compraram tais títulos no mercado financeiro, vêm o valor de seus ativos diminuírem, pela desvalorização destes papéis, conseqüentemente, diminuindo seus patrimônios líquidos e o valor de suas ações.
As diminuições dos Patrimônios Líquidos dos Bancos reduzem suas capacidades de emprestar, criando um colapso no sistema financeiro.
Uns dos grandes problemas dos sistemas financeiros e de capitais são os das avaliações verdadeiras das garantias reais.
O valor real de um Bem é quanto o mercado está disposto a pagar por ele, em função do que ele pode render.
Se os valores dos títulos de créditos tiverem garantias irreais, eles pouco ou nada valem, mas se tiverem segurado pelo seu valor de face, os investidores estarão garantidos se a seguradora honrar seus compromissos e não quebrar, a não ser que o governo dê a garantia do tesouro à seguradora ou a tais títulos.
No mercado financeiro e de capitais a confiança é o melhor seguro e garantia.
O dinheiro real não some do mercado, mas troca de mãos, o que some é o dinheiro falso ou irreal, que quando descobertos viram pó.
A "alavancagem" é um risco de mercado e quando mal calculada, torna-se uma irresponsabilidade, principalmente, quando os derivativos não valem nada.
Quando estes fatos ocorrem é quebrada a confiança nos mercados e, nestes casos, o governo precisa intervir, rapidamente, para restabelecê-la.
Qualquer anormalidade causa preocupação e precisa ser resolvido o mais rápido possível, para não causar pânico.
É melhor evitar o pânico do que tentar controlá-lo, porque pessoas em pânico são incontroláveis.

Rio de Janeiro, 03 de Outubro de 2008.

Edison Carlos de Souza.

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